Give me love

Me dê amor.

Ela diz enquanto dançamos.

Eu estive esperando por você

mas a paixão queima rápido demais.

 

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Sobre o amor

Liberdade é sinônimo de amar,

por isso te deixo livre

por enquanto deixe que só, eu me vire

Volta se tiver que voltar.

 

Prisão é antônimo,

é por isso que te deixo solto,

não sou assim tão louco

não faço de ti um anonimo.

 

Uso-te de experimento,

para saber se te deixo em meus braços

ou te solto logo, ao vento.

 

Algemas não me atraem,

teus cabelos a voar ,

estes sim me prendem

 

 

Do fundo do meu coração, obrigada por isso.

Tá tudo bem não precisa me dar me explicações ou tentar justificar as tuas atitudes, eu entendo, a carne é fraca né? Eu sei bem, mas me poupe da tua conversinha barata eu já estou farta , se tu quiser ficar, fica, mas saiba que eu vou sair daqui, não aguento mais um segundo perto de ti, isso por quê o teu cheiro fica sempre na minha roupa e eu não quero ter que te sentir perto o tempo todo, eu não preciso te lembrar a todo instante. Te peço para não esperar a madrugada pra beber e finalmente dizer que me ama, tudo isso é falso, e tu ilude mais a si mesmo do que a mim, é essa tua vontade de me amar que te impede de realmente sentir.

Sei que tu odeia que eu fique citando frases prontas o tempo todo, essa minha mania sempre te irrita, só que eu não posso resistir a te dizer que ”a carne só é fraca quando o caráter não é forte” Tu ter me traído só prova o quão despreparado tu tá pra receber e doar o amor, tenho pena de ti, está tão cego pelas felicidades momentâneas da vida que se o amor bater na tua porta é capaz de enxota-lo na hora, não consigo identificar se o que tu tem é medo, se o problema sou eu ou tu que é só um babaca mesmo, essa última alternativa de certa forma me deixa mais leve, porque dentro de mim eu carrego a certeza de que dei o meu melhor, eu te amei, mas infelizmente, não posso amar em dobro.

Desliga esse telefone agora, guarda as tuas palavras vazias para as outras que virão, porque tu sabe que eu não serei a primeira e nem a última a tentar te amar, eu só peço que não faça com elas o que fez comigo, tu destruiu uma parte importante em mim ,mas eu vou me recuperar, não pra te provar alguma coisa mas, pra ser o melhor pra mim, agora que eu tenho todo o meu tempo, posso usa-lo para completar todos os meus espaços quebrados. Obrigada por me fazer perceber que eu não preciso ser boa pra ninguém além de mim. Desejo sorte as outras e que elas não tenham que vivenciar o que eu passo agora, ou melhor, que elas passem por tudo isso e aprendam a te agradecer no fim, do mesmo jeito que eu faço agora.

A lua e ela,

Eu e a lua,

Sob o mesmo céu

as duas figuras,

semblantes apaixonados

percorrem a rua,

nua e crua,

a paixão arde.

só uma noite,

um beijo

e tudo acaba aqui

ninguém quer o certo

o errado é o correto

inversão de sentidos

a rua cala,

o breu grita :

maldita!

passos rápidos

sem pretensão

tenta fugir

o coração fica.

 

 

 

 

 

Mel e Girassóis

Ela não suportou olhar tanto tempo. Virou de costas, debruçou-se na janela, feito filme: Doris Day, casta porém ousada. Então ele veio por trás: Cary Grant, grandalhão porém mansinho. Tocou-a devagar no ombro nu moreno dourado sob o vestido decotado, e disse:
– Sabe, eu pensei tanto. Eu acho que.
Ela se voltou de repente. E disse:
– Eu também. Eu acho que.
Ficaram se olhando. Completamente dourados, olhos úmidos. Seria a brisa? Verão pleno solto lá fora.
Bem perto dela, ele perguntou:
– O quê?
Ela disse:
– Sim.
Puxou-o pela cintura, ainda mais perto.
Ele disse:
– Você parece mel.
Ela disse:
– E você, um girassol.
Estenderam as mãos um para o outro. No gesto exato de quem vai colher um fruto completamente maduro.

Você pode comprar o livro “Os dragões não conhecem o paraíso” de Caio Fernando de Abreu neste link: 

https://www.saraiva.com.br/os-dragoes-nao-conhecem-o-paraiso-8103217.html

Por ela mesma

Ela não é nem um pouco fácil .

Não se ilude com qualquer frase decorada e não é um buquê de flores clichês que vai faze-la se derreter por inteiro. Você pode busca-la na porta de casa com uma Ferrari ou com uma bicicleta, se ela gostar de ti tanto faz o que tu tem, os sentimentos valem mais, inclusive ela é tão desencana com essa questão material que usa como um mantra pessoal a frase : “Um gesto teu me diz mais sobre a tua vida do que o dinheiro que traz na carteira.”

Ela é intensa cara, aqui é oito ou oitenta, não suporta gente que faz joguinhos e odeia quem deixa tudo  subentendido. Ela quer conhecer pessoas que cheguem e abram logo todas as janelas e portas da alma, quer ter vista privilegiada do que se guarda no mais íntimo, em contrapartida não quer quem chega rápido demais, mostra tudo o que tem e e sai pela porta dos fundos sem deixar nada pra trás, ela quer alguém que a conquiste com algo novo todos os dias, ela quer um mistério que não caia na rotina.

Todas as vezes que se apaixonou aprendeu alguma coisa, amadureceu tanto que por um tempo esgotou a sua capacidade de mergulhar de cabeça numa relação sem propósito. A sua bagagem sentimental estava tão cheia que ficava difícil de carregar, mas ela não pedia ajuda, não por orgulho e sim, por querer aprender por si só a lidar com as consequências de tanto tampo de experiências. Ela compreendia que por onde fosse teria apenas sua própria companhia e que ninguém que entrasse em sua vida deixaria algo mais que cicatrizes de amadurecimento.

A independência sempre foi um ponto forte em sua personalidade, certamente era por isso que tinha essa vontade incontrolável de não permitir que fizessem as coisas por ela, nunca permitiu que a colocassem como coadjuvante na sua própria vida. Queria sempre mais, saber mais, aprender mais, buscar mais, nunca ter mais , isso era o de menos, o que se guarda na mente era o que mais ela buscava,  não se contentava com pouco, e o pouco que tinha transformava no dobro, não fazia mágica, mas tinha a capacidade nata de mudar a situação a sua volta e deixar tudo propicio pra ela se estabilizar.

A inteligência emocional e intelectual a fez chegar a lugares que nunca se teve nem sequer conhecimento. Lutou tanto que cumpriu metas que ela nem previa. Ela é guerreira porque errou muito em sua jornada, e. nenhum dos deslizes que cometeu a fez abaixar a cabeça, a sede de acertar era o único incentivo que tinha, e a vantagem é que vinha de dentro dela, não da boca dos outros.

Dos perigos que a rotina esconde

 

E de repente você está escorado num poste qualquer do metrô, esperando que alguma mudança gigantesca ocorra na sua cruel rotina de trabalhador, o massacre que é viver todos os dias como se fossem o mesmo, o torna cada dia mais refém do poço sem fundo em que se encontra. A depressão começa com um pequeno descuido, um fim de semana que você sacrificou por conta da faculdade, um almoço na casa dos seus pais que você desmarcou pra fazer a hora extra que aceitou pra aumentar o salário. Num dia você está bem e quando volta os olhares para dentro de si, é uma escuridão sem fim.

Calma, respira fundo, agora você já percebeu que tem algo errado, tenta sair da cama e não consegue mais, põe os pés pra fora de casa e insiste em dizer à todos e até pra você que amanhã vai ficar tudo bem, mas olha só, não vai, quanto mais você se atolar em situações que te obrigam a permanecer na mesma rotina, todos os dias, sem nada te surpreender, mais vai se ver perdido num oceano de trevas que não te deixarão em paz.

A solução mais simples seria buscar ajuda, o problema é onde encontrar alguém que não te diga que “tristeza passa, dorme que amanhã tudo volta ao normal.” Você não quer que as coisas voltem a ser como antes, na verdade, nem se lembra como era sua vida antes de ser consumido por essa irritante sensação de que nada está te proporcionando prazer, e que a cama ainda é o lugar que te deixa mais satisfeito no mundo, as companhias de antes parecem não fazer mais nenhuma falta, e o seu chefe continua pedindo que ligue para ele o mais rápido possível.

A coragem veio, seus olhos se abrem, você veste as suas roupas e sai para caminhar, anda por horas na rua e não vê nada demais, tudo ainda lhe parece tão comum, que nem dá vontade de observar, volta pra casa ao fim do dia mais saturado do que quando saiu, ainda por cima a tristeza dos outros te contagia e você arranjou mais um peso pra carregar. Teus pais ligam preocupados, te chamam pra conversar e você não tem nenhuma explicação para como estava em um dia com uma chateação boba e do nada se enfiou num temporal sem chance da chuva estiar. Olha fundo nos olhos deles e pede desculpas sem ao menos saber o que o faz sentir tão culpado.

As lágrimas nem o incomodam mais, já caíram tão livremente nos últimos meses que não sente mais quando elas estão a molhar suas bochechas, esse talvez seja o seu real problema, se acomodou demais, e quando foi perceber, não dava pra voltar atrás. De repente você está escorado num poste qualquer do metrô, esperando que alguma mudança realmente significativa ocorra na sua cruel rotina e se depara com uma vontade imensa de mudar, sai andando pelas ruas e nem vê o tempo passar, encontra um amigo antigo, que acabou de se formar, sentam então em uma cafeteria pra conversar.

Não foi nada muito demorado mas alguns minutos de conversa te fizeram se arrepender por não ter saído outras vezes com ele, a conversa estava boa, mas ele tem que ir pra casa descansar, antes de ir embora, te dá um abraço e deixa sobre a mesa um número de celular. Você chega em casa com uma vontade incontrolável de ser novamente a pessoa alegre que já foi um dia, resolve dar um basta nos massacres diários e nos meses sem nem sequer ver a luz do dia. Liga para seu amigo e juntos decidem dar um tempo em tudo, pedem férias do trabalho, você tranca a faculdade e enfim põe em prática o sonho que construíram na adolescência, viajar juntos ao redor do mundo.

Essa mudança repentina de comportamento sempre fez parte da sua tristeza, às vezes você tinha desses momentos súbitos em que sentia-se pronto para recomeçar do zero, então arregaçava as mangas e ia atrás de alguém pra te acompanhar numa nova jornada, você até sentia vontade de se libertar da depressão mas todos ao seu redor estavam ocupados demais com os seus próprios problemas para serem minimamente empáticos com você, a diferença nesse caso foi que o seu amigo estava tão cansado de tudo, da mesma forma que você, ele foi o único a lhe estender a mão porque viu em ti uma chance de também escapar da rotina.

Não quero dizer que a depressão seja um problema pequeno, ou que com um único gesto você vai ter condições de se recuperar, a depressão é uma doença maldita que te consome pouco à pouco, e para finalmente se libertar das garras dela, você precisa além do apoio das pessoas próximas a ti, uma iniciativa própria todas as manhãs, e aproveitar os curtos momentos em que consegue driblar a tristeza extrema para se reconhecer no meio de toda a turbulência. E saber que mesmo com todo o caos você ainda está vivo dentro do seu corpo e que a sua essência permanece a mesma, basta encontrar o momento e companhia certa para se reviver.