O Cortiço (1890)

Cortico-Capa-CP-01ed01-page-001-e1335363765606O Cortiço (1890) – Aluísio de Azevedo

Este livro em particular eu gosto bastante, não exatamente pela história em si, mas pela maneira como é retratada a verdadeira face do homem, sem a romantização, nesse  romance os personagens tem todas as características humanas, inclusive os erros, que são expostos de forma clara.

Trata da exploração e péssimas condições de vida da parcela social que habitava os cortiços do Rio de Janeiro no final do século XIX. O enredo nos apresenta a ascensão do comerciante português João Romão, proprietário do cortiço onde se passa a história, uma pedreira e uma venda.

João Romão como já mencionei anteriormente, assim como todos os outros personagens do livro representa todas as faces humanas. Ele é descrito no livro como oportunista e explorador, além de ser extremamente egoísta, João usa tudo e a todos para poder realizar o sonho de adquirir prestígio social, tal qual o seu vizinho, o comendador Miranda.

Confio nos meus dentes, e esses mesmo me mordem a língua!

Aluísio Azevedo

Você pode comprar o livro “O cortiço” de Aluísio de Azevedo neste link:

https://www.saraiva.com.br/o-cortico-col-classicos-para-todos-9358330.html

 

Anúncios

Cigana de ossos

Presente em noites de maré

e ressaca,

admiro como te manténs intacta.

Alienada de todo o caos,

dançando valsa sobre os destroços.

Ah! Cigana de ossos.

Se soubesse a missa metade do quanto me esforço

não zombarias dos sacrifícios que a ti faria.

Largo tudo agora, se disser que onde fores poderei ir

Teus amigos se tornariam inteiros, verdadeiros.

Graças a mim não seriam mais

suspeitos de crimes que tu  cometeu.

Ah! Cigana de ossos.

Tu roubou meu coração e fugiu,

quase em meu apogeu.

Agora, teus olhos me roubam do ócio,

fazem jus a profecia que um primata previu,

serias tão minha quanto eu sou teu,

pertence a ti minha alma de pobre plebeu.

Ah! Cigana de ossos.

-Clara Webler

Onde foi que eu errei?

 

Todas árvores dessa cidade tem um coração talhado no tronco

Lembranças que deixamos do nosso amor

só pra avisar que passamos por aqui.

A saudade as vezes me aperta o peito e me consome em chamas fortes

nos momentos que entro em combustão tento focar no árduo fim que tivemos

Como deixamos chegar a esse ponto?

Onde foi que eu errei?

As noites de amor não foram o suficiente pra te manter por perto?

As juras não fizeram sentido pra ti?

Onde foi que eu errei?

Onde foi que eu te deixei?

Separados

Eu vi nos seus olhos que o nosso tempo estava se esgotando, notei que a saudade já começava a se alojar no peito antes mesmo de você ter partido. Eu nunca fui de exageros mas naquele exato momento que você embarcou no trem para nunca mais voltar, eu pude ouvir o som dos nossos corações se despedaçando. A distância você sabe, mata até o amor mais selvagem.

Eu queria realmente acreditar que depois de dar a volta ao mundo você seria o mesmo, mas infelizmente te deixei ir com a certeza de que nunca veria a locomotiva te trazer de volta, porque por mais que voltasse com teu corpo, a alma já não me pertenceria.

Dom Casmurro (1899)

Recentemente os clássicos da literatura brasileira tem se tornado os melhores livros que já li, confesso que sempre tive um certo receio em lê-los por pensar que tratavam-se de histórias velhas e desatualizadas. Como disse, está sendo surpreendente apreciar contos, poemas, prosas e romances muito bem escritos e com temáticas bem atuais.

Trago hoje a vocês um dos muitos livros que agora ocupam um lugar especial em minha estante.

Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
casmurro3.jpg

Tem como enredo principal a história do carioca de 54 anos, Bento de Albuquerque Santiago, advogado solitário, que decide “unir as duas pontas da vida” narrando histórias de sua infância e adolescência até os dias atuais.

No livro Bento, justifica o porquê de ser chamado de Dom Casmurro, narra sua experiência em ser mandado pela mãe ao seminário, e principalmente conta a avassaladora paixão da adolescência por sua vizinha Capitolina que viria anos depois tornar-se sua esposa.

Mas a saudade é isto mesmo; é o passar e repassar das memórias antigas.

                               Machado de Assis

Você pode comprar o livro “Dom Casmurro” do Machado de Assis nesse link: 

https://www.saraiva.com.br/dom-casmurro-414139.html

Por que escrevo?

“Escrevo para não falar sozinho.”        

Cazuza

 

Hoje quando encarei a página do diário em branco, me perguntei por que escrevo; Qual a razão de vomitar palavras em cima de desconhecidos; Por que desperdiço meu tempo nisso; Escrevo sobre sentimentos mas por quê?

Tenho em mim a certeza de que da mesa maneira que a música, a escrita faz com que eu viva, me traz liberdade, esta sensação de que toda história depende apenas de mim para acontecer e que ao menos nas letras, nada pode dar errado.

Eu escrevo e gosto disso mas o real motivo que me traz de volta pra essas folhas não me parece muito claro, por que dedico minhas forças, e insisto na criatividade que me vem e some por dias, por que depois de tudo, eu ainda continuo a escrever?

Nada disso me traz dinheiro, nem sucesso, não me acrescenta nada, certo? Bem, foi o que me disseram, contudo veja só, apesar de saber tudo isso, novamente a página deste caderninho está sendo preenchida, pouco a pouco toma forma, é disto que eu gosto, o sentimento de estar construindo algo que vai durar, mesmo que eventualmente eu me vá, meus escritos serão lembrados, talvez até mais que eu.

Enquanto alguns se desesperam com a ideia de esquecimento, eu abraço a anonimidade como encantadora parceira, porque sei que por mais que meu corpo pereça, aqui nesses rabiscos estarão as provas de que um dia eu vivi.

 

Like circus

Alguns goles de café preto e frio, em conjunto com mais algumas pílulas de cafeína, receita mágica para me manter ativo durante dias e noites seguidas, quando o efeito passa, repito a dose, definitivamente a hiperatividade se tornou meu vício, meus amigos passaram a me chamar de louco, drogado e coisas desse tipo, afinal antes de mim, ou melhor antes de você, ninguém da minha família tinha ficado conhecido por se envolver em casos de dependência química.

Trato disso como tua culpa porque sinceramente acredito que foi, antes da tua curta passagem pela minha vida eu nunca tive problemas para dormir, isso porque eu não tinha medo de sonhar com a risada ou com o brilho nos olhos de gente que eu amava. É que depois de tudo, o que tinha se tornado tão colorido passou a ser meu pior pesadelo preto e branco. Agora eu fujo de circos com medo de me encantar novamente com o que vai embora em poucos dias.

Sempre que eu fecho os olhos tenho a cruel visão dos teus olhos castanhos e profundos, tão profanos, me faziam ver além das certezas que eu tinha, me envolviam em cores que não me tonteavam, giravam e giravam, tal qual um carrossel, tu me deixava tão embriagado da tua magia que por segundos eu me permiti esquecer que os brinquedos de parques sempre param, e nos decepcionam por nos deixarem tão tristes e desesperados, ao contrário deles a minha vontade de quero mais nunca poderia ser encoberta por outras atrações, ninguém vai me fazer sentir do jeito que tu fez.