Ame sem joguinhos

Quem gosta mesmo de ti vê graça em tudo, desde o teu dedão do pé meio torto até aquela falha estranha no lugar em que teu cabelo não cresce igualmente ao resto. Quem gosta repara em tudo, nas tuas manias esquisitas e no jeito que você dorme quando está extremamente cansado.

O lado bom e também mau de se estar apaixonado é essa cegueira momentânea que nos dá, tudo no outro nos chama atenção e nada parece nos assustar, a verdade é estamos tão preocupados tentando identificar o que sentimos que nem reparamos quando as coisas simples deixam de passar despercebidas e tornam-se detalhes já conhecidos intimamente.

O amor não deixa dúvidas, sabemos intuitivamente quando iremos nos apaixonar, e da mesma forma temos plena consciência de em que situações as coisas tendem a dar errado, entretanto preferimos ignorar tudo e todos. Esperamos que milagrosamente algo caia dos céus (não falo apenas de meteoros) e mude totalmente o rumo de nossas paixões incontroláveis.

O sentimento nos deixa fora de órbita, a rotina toda muda, ficamos mais felizes, distraídos, loucos e desastrados, andamos pelas ruas suspirando e tentando adivinhar se o amado sente a mesma coisa que nós. Todo mundo já pode perceber que estamos apaixonados e mesmo assim tentamos de alguma forma negar, não pra tentar esquecer as malditas borboletas no estômago mas sim, para nos fazer de difícil, por que você sabe, quando o amor bate em nossa porta vêm acompanhado de um manual de regras toscas que você tem que seguir.

Somos previsíveis sim, não adianta negar, também não relute a ideia de que fazemos joguinhos, é normal, apesar de eu ainda os considerar extremamente infantis, diga-se de passagem. Não são realmente necessários acredito, porém se não existissem amaríamos excessivamente, sim caro leitor, a cura para os conflitos do mundo está verdadeiramente no amor sem regras, contudo a ideia de que o amor (e tantos outros sentimentos) deve ser enrustido, para demonstrar quem manda em quem na relação, está furtivamente enraizada em nossa cultura, e eu sinceramente não sei a origem de todo esse medo.

Sejamos livres para fazermos o que quisermos, AMAR principalmente, sem vergonha. As coisas só irão pra frente quando a liberdade de expressão de que tanto falamos hoje em dia sair livremente de dentro dos nossos corações e não apenas da boca para fora, em um ato de rebelião.

Clara Webler

 

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Publicado por

Webler

Queria viver leve; amar leve; respirar leve; escrever leve; mas a vida me fez assim, pedra bruta.

3 comentários em “Ame sem joguinhos”

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