La noche

Eu tenho medo do escuro e ainda assim a noite me encanta. As luzes fracas que sombreiam os prédios, trazem o ar de mistério, o show de mágica começa quando os abajures vão um a um se desligando e as cabeças repousam no travesseiro. O silêncio engole o breu e vice-versa.

A noite é tão bela e eu nem sei dizer porquê, talvez tenha a ver com o anonimato que a escuridão traz, ou quem sabe, a semelhança entre os que são cegos verdadeiramente e os que, naquele horário não querem enxergar. -Esses talvez nem se esforcem para tal ato.- Mas o irrefutável é que na noite, todos são iguais perante as pupilas negras e dilatas do amor.

Não saio na rua á noite, nem se tivesse coragem sairia, prefiro observar tudo da minha janela. A noite esconde perigos e destes nenhum eu quero vivenciar, porque os que andam por aí depois do dia, não sabem ao certo pra onde é o pra lá e o pra cá, e não serei eu o tolo, a tentar ensina-los.

Tenho pena dos que fecham os olhos para este período, perdem de vista o que há de mais belo a se apreciar, a confusão que a noite traz. Não são todos que sabem o gosto que tem, ouvir com o coração, a lua baixinho cantar.

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Partirei

De mãos atadas.

Eu sou mais uma.

Permaneço em dúvida,

quitamos nossas dividas e

ainda assim tenho muito o que pagar.

Não gosto que decida minha vida

e odeio mais ainda quando finge que não liga.

Prometo que sairei cedo,

antes mesmo do pôr do sol.

Por que nesse tempo que passei aqui,

só percebi o quão indigna do teu amor eu sou.

Não cumprirei suas expectativas

e acima de tudo não voltarei após a partida,

por isso acostume-se com a solidão.

Clara Webler

 

A última de amor

Cansei-me de escrever sobre amores que partiram

e sobre corações partidos e tudo o que já se quebrou.

Rasguei as folhas do diário que me lembravam vocês,

sim, vocês. Tantos (des)amores que não me servem mais de nada.

Nem mais quero usa-los como história,

ninguém merece ler e sofrer comigo.

Guardei a dor dos anos passados no fundo do baú,

queria ter enterrado e coberto de terra,

mas fiquei com medo de florescer algo meio bruto,

não quero plantar raízes desse tipo de sentimento.

Peço desculpas pelo desuso que os condicionei.

Mas eu felizmente acordei e por uma desventura,

lembrei que não tenho mais tempo pra pensar em vocês,

prefiro agora escrever sobre o que ainda vêm.

Quem sabe assim consiga curar as feridas, depois de tanto remexe-las.

Obrigada pelo o que já me incentivaram a criar,

agora imploro que esvaziem minha mente para que eu possa finalmente enxergar

e neste caso, mudar o foco do Amor para o Amar.

-Clara Webler

Sobre viver

Clique aqui para ouvir “Human” da Christina Perri enquanto lê este poema.

Eu sou humana

Eu caio e choro

Estou no comando de uma vida.

E por mais que meu sistema respiratório falhe,

minhas entranhas se encham de ódio

e meu coração nunca mais palpite.

Minha alma ainda vai estar aqui,

em espiríto irei aonde tiver que ir,

porque por mais que seja difícil,

andar sem saber para onde seguir,

ver o caminho se fechar e nenhuma porta se abrir.

Eu continuo firme

porque dia após dia,

mais tenho vontade de viver.

-Clara Webler