Sobre ele

Ele tem esse jeito calmo, meigo e lento que nos obriga a ter paciência, mesmo quando queremos apressá-lo nas palavras. Ele consegue discursar por horas sobre coisas que eu nunca ouvi falar e no final me convencer de que aquilo de certa forma é certo. Eu sempre concordo com ele, não por ser submissa, mas porque os seus olhinhos puxados por de trás do óculos transmitem uma verdade que não deixa espaço para dúvidas. Ele simplesmente exala sinceridade. Sinceridade e uma paz de espírito que contagia qualquer lugar tumultuado que ele frequente.

Ele é o típico cara que faz todo mundo parar só pra admirá-lo, não é nem por causa da beleza, isso é o que menos chama atenção nele na verdade, para entender a beleza dele é preciso ir mais fundo do que a aparência, mais longe do que os olhos e os corações de pedra podem chegar, é preciso senti-lo por inteiro, de alma e espírito. É só que a primeira vista ele parece tão diferente das outras pessoas, e quando você chega mais perto só confirma isso. É tão bom estar do lado dele, porque ele nos faz sentir privilegiados por estar ali e ter a honra de compartilhar alguns minutos de conversa boa e risadas espontâneas. Ele é do tipo de pessoa que realmente faz o mundo valer a pena.

 

Eu me sinto tão bem por aprender com ele e por ele saber ouvir as minhas histórias também, temos uma consideração mútua um pelo outro, uma relação de respeito e amizade que só cresce entre nós. Só tenho a agrader por ele fazer parte da minha vida e por me deixar fazer parte da sua também. Obrigada por estar aqui.

 

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extremos

Gelo na pele quente

queima.

Não consigo segurar teu coração nas mãos

porque me machuca.

Teu coração é chama que se resfria

e abaixo de zero

me incendeia.

A pele quente, o amor gelado

tu evapora e eu me curo

aos poucos,

temos dois corações dilacerados.

Foge enquanto há tempo,

faz o que o está escrito no teu destino

derrete e some,

me abandona e deixa a marca.

São só as leis da física agindo em nossos corpos,

ação e reação,

sol e lua não podem viver colados,

nem gelo e fogo podem ser namorados.

 

Eu não consigo

Clique aqui para ouvir “I know a place” enquanto lê este texto.

Eu sinto os olhares atentos que me observam, esperando um deslize, e as vozes sussuradas que me convencem de que não sou o suficiente. É um inferno viver na minha mente, isso porque o pânico social não me permite ver nada além do vazio sufocante das multidões.

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Mesmo ocupadas, as pessoas parecem focadas em me avaliar e me julgar, é por isso que nunca mais apareci em nenhuma das reuniões de amigos ou desci as escadas para os jantares de família. Inclusive, peço desculpas pelos meus grossos modos e a cara de antipatia, é que por mais que eu seja nova, minha vida social anda um pouco enferrujada.

Eu tenho medo do que vão pensar de mim e mesmo que os outros jurem não ter reparado em nada, eu vou sentir como se o mínimo detalhe fora do lugar (coisas que só eu percebo) tenha sido o motivo das piadas durante os longos cinco minutos que passei por entre os que conversavam animadamente, porque antes que eu me esqueça, meu senso de humor também se perdeu por entre os meus travesseiros em todas as noites as noites que chorei até pegar no sono, agora, todas as risadas que presencio, apenas abastecem a trilha sonora dos meus pesadelos.

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É desse jeito que a ansiedade me manipula e me faz desejar morrer a ter que pôr os pés para fora de casa. Não é frescura; não é tolice, é só o meu coração saíndo pela boca cada vez que meus olhos cruzam acidentalmente com os de alguém na rua. Eu esperava que pudessem me tirar desse tornado de sentimentos, mas de forma alguma eu consigo gritar o que está acontecendo, ainda tenho esperança de que algum dia alguém vai perceber meu desespero nas entrelinhas e vai segurar minha mão até isso passar.