Equação fracassada

Ela não era flor que se cheire, mas foi a única menina que eu verdadeiramente amei, talvez por ter sido a primeira, não sei. Mas a paixão me atingiu de uma maneira que nem se quisesse conseguiria explicar. Erámos amigas antes de tudo, nos tornamos amantes, depois veio o nada e hoje eu lido com algumas migalhas dela. Temos algo bem próximo da amizade, contudo ainda vejo a parede de pedras que se ergueu em nosso meio, depois de tudo nunca mais fomos as mesmas.

Ela tá namorando, quando eu soube disso senti um misto de felicidade, pela minha parte que ainda era sua amiga, mas uma tristeza imensa por saber que poderia ser eu, se eu tivesse tido coragem. Ainda tinha uma parte de mim que a antiga garota apaixonada comandava. Eu queria realmente poder imaginar como teria sido caso eu a tivesse convidado para passar um final de semana na minha casa do campo, ou se tivesse simplesmente levado uma rosa quando fui buscá-la na escola, mas eu não consigo, prefiro admitir de uma vez por todas que realmente não era pra ter acontecido.

As vezes eu me culpo por fantasiar tanto o que nós tivemos, acho que faço isso porque ela era um misto de todas as sensações que a paixão provoca. Era tudo mais suave e tão intenso, tudo tão diferente e frustrantemente igual a tantas outras histórias de adolescência. Nós nos entendíamos, mas não nos compreendíamos ao todo, brigávamos por motivos bobos, mas acabavámos juntas no final. Até chegarmos ao nosso limite de idas e voltas.

Erámos uma equação fadada ao fracasso, e ainda por cima, ela cismava em adicionar mais pessoas onde eu pensava que só cabíamos nós duas. Foi bom enquanto durou e durou enquanto estava sendo bom. Eu gostei dela, não a amei como disse, e ela disse gostar de mim, mas confundiu as coisas, talvez eu tenha o feito também, mas ao menos tenho a coragem de dizer que tudo teria dado certo se tivessemos nos contentado apenas como amigas sem somar benefícios.

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Sobre ele

Ele tem esse jeito calmo, meigo e lento que nos obriga a ter paciência, mesmo quando queremos apressá-lo nas palavras. Ele consegue discursar por horas sobre coisas que eu nunca ouvi falar e no final me convencer de que aquilo de certa forma é certo. Eu sempre concordo com ele, não por ser submissa, mas porque os seus olhinhos puxados por de trás do óculos transmitem uma verdade que não deixa espaço para dúvidas. Ele simplesmente exala sinceridade. Sinceridade e uma paz de espírito que contagia qualquer lugar tumultuado que ele frequente.

Ele é o típico cara que faz todo mundo parar só pra admirá-lo, não é nem por causa da beleza, isso é o que menos chama atenção nele na verdade, para entender a beleza dele é preciso ir mais fundo do que a aparência, mais longe do que os olhos e os corações de pedra podem chegar, é preciso senti-lo por inteiro, de alma e espírito. É só que a primeira vista ele parece tão diferente das outras pessoas, e quando você chega mais perto só confirma isso. É tão bom estar do lado dele, porque ele nos faz sentir privilegiados por estar ali e ter a honra de compartilhar alguns minutos de conversa boa e risadas espontâneas. Ele é do tipo de pessoa que realmente faz o mundo valer a pena.

 

Eu me sinto tão bem por aprender com ele e por ele saber ouvir as minhas histórias também, temos uma consideração mútua um pelo outro, uma relação de respeito e amizade que só cresce entre nós. Só tenho a agrader por ele fazer parte da minha vida e por me deixar fazer parte da sua também. Obrigada por estar aqui.

 

extremos

Gelo na pele quente

queima.

Não consigo segurar teu coração nas mãos

porque me machuca.

Teu coração é chama que se resfria

e abaixo de zero

me incendeia.

A pele quente, o amor gelado

tu evapora e eu me curo

aos poucos,

temos dois corações dilacerados.

Foge enquanto há tempo,

faz o que o está escrito no teu destino

derrete e some,

me abandona e deixa a marca.

São só as leis da física agindo em nossos corpos,

ação e reação,

sol e lua não podem viver colados,

nem gelo e fogo podem ser namorados.

 

Eu não consigo

Clique aqui para ouvir “I know a place” enquanto lê este texto.

Eu sinto os olhares atentos que me observam, esperando um deslize, e as vozes sussuradas que me convencem de que não sou o suficiente. É um inferno viver na minha mente, isso porque o pânico social não me permite ver nada além do vazio sufocante das multidões.

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Mesmo ocupadas, as pessoas parecem focadas em me avaliar e me julgar, é por isso que nunca mais apareci em nenhuma das reuniões de amigos ou desci as escadas para os jantares de família. Inclusive, peço desculpas pelos meus grossos modos e a cara de antipatia, é que por mais que eu seja nova, minha vida social anda um pouco enferrujada.

Eu tenho medo do que vão pensar de mim e mesmo que os outros jurem não ter reparado em nada, eu vou sentir como se o mínimo detalhe fora do lugar (coisas que só eu percebo) tenha sido o motivo das piadas durante os longos cinco minutos que passei por entre os que conversavam animadamente, porque antes que eu me esqueça, meu senso de humor também se perdeu por entre os meus travesseiros em todas as noites as noites que chorei até pegar no sono, agora, todas as risadas que presencio, apenas abastecem a trilha sonora dos meus pesadelos.

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É desse jeito que a ansiedade me manipula e me faz desejar morrer a ter que pôr os pés para fora de casa. Não é frescura; não é tolice, é só o meu coração saíndo pela boca cada vez que meus olhos cruzam acidentalmente com os de alguém na rua. Eu esperava que pudessem me tirar desse tornado de sentimentos, mas de forma alguma eu consigo gritar o que está acontecendo, ainda tenho esperança de que algum dia alguém vai perceber meu desespero nas entrelinhas e vai segurar minha mão até isso passar.

O espaço entre a vida e os sonhos

 

Antes de eu existir, eu estava flutuando no lindo espaço entre a vida e os sonhos.

Eu estava envolvida por milhões de pensamentos puros… Eu estava sendo criada, eu estava sendo construída. Crescendo, sentindo, me preparando para tudo o que viria pela frente.

Eu sabia que o mundo estava se preparando para mim também, ele estava sendo remoldado para que eu pudesse me tornar uma parte dele. O amor que foi compartilhado por duas outras almas, a paixão, os sentimentos, os atos. Eu senti isso, eu estava quase no tempo de chegar.

Quanto mais próxima eu estava da vida, as memórias da minha existência anterior desapareciam… Eu estava nascendo.

E eu cheguei. Quando eu finalmente abri os olhos, fiquei surpresa. Não era como eu pensei que seria, era tão diferente do lugar que eu estava antes. Aqui tinham luzes, cheiros e eu podia senti-los. Eu vi rostos, eu tinha emoções e uma voz.

Nasci com a pele clara, cabelos negros, face delicada, grandes olhos cor de mel, e uma alma que valia todos os tesouros do universo. Inteligência, gentileza, paixão, talento e arte. Eu fui feita da mesma maneira que todos os outros humanos, mas ainda assim era completamente única.

Eu não sei de onde vem a parte que nos faz tão diferentes entre nós… porque por certo, toda a individualidade foi feita de maneira perfeitamente imperfeita, com defeitos e qualidades, e cada uma delas merece todo o amor do mundo. O físico é só um detalhe, é incrível também, mas o que eu realmente idolatro são as belas mentes e as boas almas, porque por mais que sejamos semelhantes de corpo, a nossa personalidade guarda a nossa maior preciosidade: Quem realmente somos, a nossa essência como indíviduos iluminados.

Texto traduzido e adaptado à partir desse artigo feito pela Aisha.

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Água com açúcar

Foi clichê pra caramba,

mas também, o que eu esperava?

Erámos eu e você,

claro que seria meloso,

nós somos praticamente Romeu e Julieta do século XXI.

A diferença é que Shakespeare brincava com o amor deles

e aqui quem brinca com nós,

é o próprio Amor.

Parecemos feitos de açúcar,

tão grudentos.

Chego a ter ânsia só de lembrar das juras.

Se me dissessem alguns meses atrás

como eu me saíria no amor,

eu riría muito e nunca acreditaria,

logo eu, coração de pedra,

faço agora serenatas em plena madrugada.

É surreal pensar agora estou vivendo

num trágico drama françes,

daqueles que dão ênfase aos sentimentos

e nos fazem sentir pena dos desesperados amantes.

Nossa sangria desatada não me preocupa tanto,

porque para minha sorte,

não somos amantes declarados,

só chegamos a um patamar bem próximo de sermos,

mas por enquanto,

ainda somos apenas crianças decobrindo o amor.